O Politécnico de Portalegre realizou o II Seminário sobre Saúde Mental no Ensino Superior com o lema “Promover, Proteger, Prevenir: Pequenas Ações, Grandes Impactos”, onde foram abordadas diferentes perspectivas de experiências académicas, profissionais e pessoais sobre saúde mental.
As mesas-redondas centraram-se na identificação de vulnerabilidades e fatores de risco associados à saúde mental no ensino superior, mas também na apresentação de estratégias de prevenção e intervenção, com destaque para o papel das instituições e de entidades externas no acompanhamento dos estudantes. Paralelamente, foram partilhados testemunhos em primeira pessoa sobre os desafios da vida académica, incluindo a perspetiva de estudantes internacionais, evidenciando a complexidade e diversidade das vivências no contexto do ensino superior.
Isilda Brazão, enfermeira que está envolvida na organização do seminário, falou sobre a importância de iniciativas como esta. “Estes eventos são importantes porque dinamizam e dão a conhecer o trabalho que é desenvolvido por todo um grupo em prol da sensibilização dos estudantes para a saúde mental”. Sublinhou ainda que estas ações contribuem para “a promoção da própria saúde mental dos estudantes e para a valorização do seu bem-estar”.
Apesar da relevância do seminário, Isilda explicou que o impacto depende também da participação dos estudantes. “Depende muito da adesão. Os estudantes que participaram vão certamente levar algo consigo, mas para os que não estão presentes é mais difícil perceber o impacto”, acrescentou.
Sofia Maia, aluna do 1ºano de Administração de Publicidade e Marketing, considera que o timing do evento pode influenciar a adesão. “Talvez a altura do seminário não tenha sido a melhor, porque há muitos estudantes em estágio. Poderia ser numa fase com mais alunos disponíveis”, referiu.
A estudante sugere ainda a gravação e divulgação das sessões: “Gravar as sessões e partilhar nas plataformas do Politécnico e dos núcleos de estudantes poderia ajudar a chegar a mais pessoas”. Apesar dos avanços, o estigma em torno da saúde mental continua presente no ensino superior. “Ainda existe bastante estigma, principalmente na desvalorização dos problemas”, alertou.
Ana Paula Oliveira, coordenadora do programa 2ProSMES, destaca a necessidade de manter as iniciativas no terreno. “É dar continuidade ao nosso plano e às atividades que temos previstas. Tendo em conta o que ouvimos aqui, acho que estamos a fazer um bom trabalho e devemos continuar”, afirmou.
A responsável reforça ainda a mensagem que pretende deixar aos estudantes: “A saúde mental é aquilo que nos faz ser produtivos e ter bem-estar. Todos nós podemos ter dificuldades e os estudantes têm aqui um porto de abrigo, podendo recorrer aos técnicos e à equipa do projeto sempre que precisarem”.
A componente prática do seminário foi assegurada através de workshops orientados para a promoção do bem-estar, que exploraram abordagens alternativas como a música e a terapia do riso, reforçando a importância de práticas complementares na gestão emocional e na promoção da saúde mental.
Autora: Fátima Djaló















