A palestra realizada nos Serviços Centrais do Politécnico de Portalegre, alertou para a dimensão preocupante da sinistralidade rodoviária em Portugal. A sessão realizada ontem, destacou a necessidade de reforçar a prevenção e a responsabilidade dos utilizadores da estrada e o impacto humano, social e económico dos acidentes.
A sessão foi conduzida por Mário Conceição, agente principal da Esquadra de Trânsito de Portalegre, e por Filomena Araújo, presidente da Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária. Durante a palestra, os oradores alertaram para a importância da adoção de comportamentos responsáveis na estrada e para a necessidade de reforçar a consciencialização junto da população, sobretudo entre os mais jovens.
No distrito de Portalegre, os dados revelados por Mário Conceição apontam para 19 mortes e cerca de 450 feridos desde 2023, com uma ligeira redução em 2024, ano em que se registaram 11 mortes e 426 feridos. Já em 2025, até ao mês de setembro, contabilizaram-se 12 mortes e 358 feridos. Entre as principais causas dos acidentes destacam-se o excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares, desrespeito pela distância de segurança, condução sob o efeito de álcool e drogas, utilização do telemóvel ao volante, fadiga e sonolência.
O Agente apresentou também dados relativos à sinistralidade rodoviária em Portugal, sublinhando a dimensão do problema no país. Entre 2021 e 2024 registaram-se cerca de 2.300 vítimas mortais em consequência de acidentes rodoviários, o que representa uma média de aproximadamente 50 mortes por mês. “Dá cerca de 1,6 ou 1,7 mortes por dia”, referiu, destacando a necessidade de uma maior responsabilização dos condutores e utilizadores da via pública.
Filomena Araújo recordou também a mobilização nacional registada entre 2005 e 2009 no combate à sinistralidade rodoviária, período em que, segundo a responsável, Portugal foi apontado na Europa como “o milagre português” devido à redução significativa do número de vítimas mortais nas estradas. “Houve debates, discussão, empenhamento estatal e da sociedade civil”, afirmou.
A responsável criticou ainda o atraso na aprovação da estratégia nacional de apoio às vítimas de acidentes rodoviários, afirmando que o plano deveria ter entrado em vigor em 2021. “Não há meios, não há planos de ação. Cada um vai fazendo o que entende e o que pode”, afirmou.
Durante a sua intervenção, a presidente da Associação GARE ÉVORA defendeu ainda que todos os utilizadores da via pública devem adotar uma postura mais consciente e preventiva. “Seja condutor, ciclista, motociclista ou peão tem de ter atenção para não colocar a sua vida nem a dos outros em risco”.
A palestra foi organizada por quatro alunas do terceiro ano do curso de Jornalismo e Comunicação da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Portalegre, no âmbito do seu projeto académico final de curso “Estrada Segura, Vida Futura”.
Autora: Fátima Djaló




















