O Clube de Teatro Vivo dá voz às inquietações da nova geração com a apresentação de uma peça intitulada “Por Enquanto”

A peça “Por Enquanto”, apresentada no passado dia 29 de maio no Centro de Artes e Espectáculo de Portalegre, resultou de um processo de criação coletiva e aborda temas como a solidão, as redes sociais, a pressão escolar e a inteligência artificial.

O espetáculo foi construído a partir das experiências, reflexões e textos dos jovens integrantes do Clube Teatro Vivo. Iniciaram o trabalho em setembro, e em conjunto discutiam diferentes problemáticas associadas à realidade dos jovens, que deram origem às personagens e à narrativa apresentada em palco.

Em entrevista, Cátia Terrinca, atriz e responsável pela coordenação da componente performativa do projeto, explicou que o processo criativo partiu da vontade dos participantes de abordar “a relação entre a solidão e os vícios na juventude”.

A criação do texto foi também destacada pelos jovens intérpretes. Isa Marques Rodrigues explicou que o trabalho partiu de inspiração na mitologia e nas tragédias gregas, mas foi sendo enriquecido com experiências ligadas ao quotidiano dos adolescentes. “Esta peça e este teatro foi muito esclarecedor acerca de outros problemas que outros adolescentes passam”, referiu e acrescentou que o processo contribuiu para desenvolver a empatia e a compreensão das perspetivas dos outros.

Para Manuel Silva, que participou pela primeira vez numa produção teatral, a peça pretende incentivar a reflexão sobre os espaços frequentados pelos jovens. “Eu acho que esta peça é fundamental para nós refletirmos sobre os ambientes que frequentamos, a escola, as festas, os convívios que nós vivenciamos”, afirmou. O jovem destacou ainda o papel do teatro na aprendizagem e na descoberta de novas realidades.

Questionada sobre a importância do teatro comunitário, Cátia Terrinca defende o seu valor como espaço de reflexão e intervenção social. “Todo o teatro tem impacto social, porque o teatro é uma arte do espaço público, o espaço de pensamento público, o espaço de  transformação público”.

O espetáculo integrou a programação do Junho em Cena – Mostra de Artes Performativas, iniciativa promovida pelo Município de Portalegre que reúne, ao longo do mês de junho, diversas atividades ligadas ao teatro e às artes performativas, envolvendo artistas, associações e comunidades locais.

Autora: Fátima Djaló