No ano em que celebra o seu 25.º aniversário, o Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino continua a afirmar-se como uma das mais importantes referências culturais da cidade e da região. Inaugurado a 14 de julho de 2001, este espaço museológico dedica-se à preservação, divulgação e valorização da Tapeçaria de Portalegre, uma expressão artística reconhecida pelo seu contributo para a arte contemporânea portuguesa.
O espaço organiza-se em dois núcleos distintos: um dedicado à história da Manufatura de Tapeçarias de Portalegre e aos processos técnicos de execução da tapeçaria, e outro reservado à exposição de obras, acompanhando a evolução cronológica da Tapeçaria de Portalegre desde o seu surgimento, no final da década de 1940, até aos dias de hoje.
Para assinalar esta data e conhecer melhor o percurso, a missão e os desafios desta instituição, realizámos uma entrevista a Paula Fernandes, responsável pelo museu.
Para iniciarmos esta conversa, pode apresentar-se e explicar qual é o seu papel e as suas responsabilidades no Museu da Tapeçaria de Portalegre?
O meu nome é Paula Fernandes, sou funcionária da Câmara Municipal de Portalegre. O museu é tutelado pela Câmara Municipal de Portalegre e tenho aqui uma função de responsável pelo museu de tapeçaria. Trabalho no museu desde 2001 e vamos fazer este ano 25 anos. Ok.
Então trabalha aqui desde a inauguração?
Sim. Não como responsável, mas estou aqui desde o início.
Como nasceu o interesse pela cultura e no património?
Esta é uma área que me seduz sempre muito. Eu acho que a mim e a todos os colaboradores que estão neste espaço. É difícil não gostar, não é? Mas estamos a falar de grandes artistas como Júlio Pomar, Maria Vieira da Silva, portanto, pintores que trabalharam aqui a manufatura. A Joana Vasconcelos, por exemplo, é uma artista muito conhecida, que nos seduz muito e que está aqui exposta no museu.
Como é que surgiu este envolvimento com o Museu da Tapeçaria em Portalegre?
Foi um concurso. Sou portalegrense. Nasci, cresci, estudei e sempre trabalhei em Portalegre.
O que é que a apaixona mais no seu trabalho, no dia-a-dia?
São os desafios. Eu acho que os desafios que nos vão aparecendo no dia-a-dia e o público. Os públicos também com quem nós trabalhamos, não é? Eu acho que é um grande desafio.
O que é que aprendeu com os anos que leva ligados ao museu? O que é que aprendeu com o seu trabalho ao longo destes 24 anos?
Aprendi que temos que fazer sempre mais e melhor porque isto é sempre um grande desafio, trabalhar para vários tipos de público. Temos que fazer atividades completamente diversificadas porque assim quem visitou o museu, por exemplo, há dois anos, quando voltarem tem que ter novas posições e novas dinâmicas e é isso que eu acho que é interessante, é tentarmos sempre fazer novas atividades para quem nos visita. Não é apenas sobre abrir e fechar portas. Não é a missão do museu.
Acha que o museu tem um impacto muito importante em relação à cultura portalegrense?
Não posso falar da história do museu sem falar da manufatura. Aqui há aqui um casamento desde o início da abertura do museu. Nós programámos, planeámos e trabalhámos em conjunto o Município de Portalegre. É um trabalho conjunto de várias instituições e de vários emprestadores particulares também em instituições.
O que acha que torna o Museu da Tapeçaria único?
O que o torna único é ser um museu de arte contemporânea e as pessoas não estão à espera. A expectativa que a maioria das pessoas têm é que vão ver tapeçarias antigas, clássicas, e quando chegam aqui não são surpreendidos. Pelo menos o que as pessoas nos transmitem.
Tem alguma história que ficou na memória ao longo destes anos, ao trabalhar aqui, histórias de visitantes?
A história que me vem à cabeça e que nos marcou, tem a ver com o João Cutileiro. Ele vinha fazer aqui fazer montagens de exposições dele e sempre dizia que precisava de dormir uma cesta.
Quais acham que são os maiores desafios ao tentar preservar este património, atualmente?
O maior desafio é a questão da continuidade da manufatura. Nós estamos todos a trabalhar em conjunto para que haja uma continuidade e há uma incerteza em relação ao futuro. Atualmente, não há muitas pessoas que trabalhem neste tipo de arte.
Autora: Fátima Djaló











