Vivemos numa era em que a informação está à distância de um clique. As redes sociais transformaram a forma como comunicamos, informamos e consumimos notícias. Hoje, qualquer pessoa pode publicar conteúdos online e fazê-los chegar rapidamente a milhares de pessoas. No entanto, esta facilidade trouxe também um problema cada vez mais preocupante: a desinformação.
As chamadas “fake news” espalham-se com enorme rapidez e, muitas vezes, são partilhadas sem qualquer verificação. Basta um título apelativo, uma imagem manipulada ou uma publicação com muitos gostos e comentários para que várias pessoas acreditem que aquela informação é verdadeira. Isto acontece porque tendemos a confiar naquilo que confirma as nossas opiniões ou emoções, sem questionar suficientemente a origem ou a veracidade do conteúdo.
É precisamente por isso que a literacia mediática se tornou tão importante. Saber ler notícias não é apenas saber interpretar palavras; é também saber analisar fontes, distinguir factos de opiniões, perceber intenções e desenvolver pensamento crítico. Num mundo onde existe excesso de informação, é essencial ensinar os jovens a selecionar, questionar e verificar aquilo que consomem diariamente.
Acredito que esta aprendizagem deve começar desde cedo nas escolas. Tal como existe a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, também deveriam existir disciplinas mais focadas na literacia mediática, porque são igualmente importantes na formação dos jovens. Num mundo cada vez mais digital, é essencial ensinar os alunos a compreender os média, a analisar criticamente a informação e a perceber o impacto das redes sociais. Não basta ensinar matemática ou português, é também necessário preparar os jovens para serem cidadãos conscientes, informados e capazes de distinguir informação verdadeira de desinformação.
Além disso, a inteligência artificial veio tornar este desafio ainda maior. Atualmente, é possível criar imagens, vídeos ou documentos manipulados que parecem reais, dificultando cada vez mais a distinção entre verdade e mentira. Sem pensamento crítico e sem educação para os média, torna-se muito mais fácil cair em desinformação e contribuir, mesmo sem intenção, para a sua propagação.
Embora os jornalistas tenham o dever de informar com rigor e verificar fontes, a responsabilidade não é apenas deles. Cada cidadão também deve questionar aquilo que lê antes de partilhar. Muitas vezes, as pessoas tornam-se parte do problema ao divulgar conteúdos falsos de forma inconsciente.
Por isso, investir na literacia mediática é investir numa sociedade mais informada, crítica e democrática. Ensinar os jovens a pensar, analisar e questionar desde cedo é uma das formas mais eficazes de combater a desinformação. Só assim será possível formar cidadãos capazes de distinguir informação verdadeira de manipulação e contribuir para um espaço público mais consciente e responsável.
Artigo de Opinião de: Luísa Guerra




