“Porton de nós ilha”: Cidade velha

A Cidade Velha, localizada no sul da ilha de Santiago, é o berço da nação cabo-verdiana e um lugar de enorme importância histórica mundial. Fundada em 1462 com o nome de Ribeira Grande, foi a primeira cidade construída pelos europeus nas regiões tropicais e a primeira capital de Cabo Verde. A sua grande relevância deve-se, em primeiro lugar, ao facto de ter sido uma placa giratória do tráfico de escravos no Atlântico, servindo de ponto de escala e comércio de seres humanos entre África, Europa e as Américas. Foi precisamente nesse cenário de encontro forçado entre diferentes povos africanos e europeus que nasceu a identidade crioula, a língua e a cultura cabo-verdiana. Em 2009, o seu centro histórico foi classificado como Património Mundial da UNESCO devido ao seu valor excecional, destacando-se monumentos como o Pelourinho (símbolo do poder colonial e da escravatura), a Fortaleza de São Filipe (que defendia a cidade dos ataques de piratas) e as ruínas da Sé Catedral. Em suma, a Cidade Velha é o ponto de partida de toda a história de Cabo Verde, guardando as marcas do passado e a riqueza da identidade atual.

O Símbolo da Emigração e da Despedida – “porton de nôs ilha”

Historicamente, a expressão está muito ligada à ideia de Cabo Verde como uma “porta” aberta para o Atlântico. Durante as grandes crises de seca e fome que assolaram o arquipélago no século XX, os portos das ilhas (como o de São Vicente ou o da Praia) eram, literalmente, o portão de saída para milhares de cabo-verdianos que partiam em busca de sobrevivência na diáspora — fosse para as roças de São Tomé e Príncipe, para a América ou para a Europa.

Esse “portão” representa a dualidade clássica da alma cabo-verdiana que encontras na literatura:

  • A dor da despedida e o isolamento de quem fica a ver o navio partir.
  • A esperança de uma vida melhor e a promessa de um regresso que nem sempre acontecia.

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