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Há visitas onde se fazem marcadores de livros com papel antigo. E outras onde se percorre a cidade seguindo os passos de um escritor. Durante o mês de maio, a Casa-Museu José Régio proporciona duas experiências distintas, mas com um denominador comum, tornar a vida e a obra do autor mais próximas das pessoas.
A primeira, intitulada “Como marcaria José Régio as suas leituras?”, decorre de 7 a 28 de maio e dirige-se sobretudo ao primeiro e segundo ciclo do ensino básico. A segunda, “Turismo Literário: os Passos de José Régio em Portalegre”, está marcada para todo o mês de maio e é aberta ao público em geral.
Maria José Maçãs, técnica responsável pela Casa-Museu, explica que a instituição procura constantemente “chegar aos seus diferentes públicos de uma maneira lúdica e pedagógica”, dando visibilidade à figura de José Régio, professor, escritor e colecionador, de forma indissociável.
Na atividade pensada para os mais novos, as crianças são convidadas a percorrer os espaços da casa onde através de livros, viajam no tempo. Contactam com exemplares antigos e, no final, constroem o seu próprio marcador de livros com os materiais disponíveis no museu. “O fazer é o que perdura, a experiência participada é a que fica”, sublinha Maria José Maçãs.
Já o turismo literário leva os participantes para fora de portas. Depois de visitarem a casa, onde são selecionados excertos de vários géneros literários do autor, partem à descoberta da cidade de Portalegre pelos lugares por onde José Régio passou. “É uma maneira de descobrir património, falando sempre da obra”, revela a técnica.
A responsável lamenta, no entanto, que a obra literária de José Régio continue pouco visível para o público mais jovem. “Nas escolas, a obra não faz parte dos currículos. É um trabalho que também o ministério teria que pensar. Localmente, é bom conhecermos aquilo que temos na localidade.”
Sobre a adesão a iniciativas gratuitas como estas, Maria José Maçãs é direta: “Às vezes refugiamo-nos na ideia de que não é bem divulgado. Mas quando queremos, procuramos. Nós temos consciência da importância da educação não formal, que complementa o que se faz nas escolas.”
Se houvesse um vídeo ou um mapa interativo para quem não pode deslocar-se a Portalegre, que história contar? “A informação teria de partir da casa e do seu habitat. Depois, procurar chavões que levassem a que se dessem grandes passeios aos domingos – como na novela de José Régio, ‘Davam Grandes Passeios aos Domingos’. Gostaríamos muito de incentivar que se fizessem grandes passeios a Portalegre aos domingos, descobrindo a cidade através dos passos de José Régio.”
Para o futuro, a aposta mantém-se: “O propósito de qualquer museu é estar constantemente a propor, a valorizar, a tentar chegar mais longe – levar a sua missão de divulgar conhecimento, com conferências, mesas redondas, outras pessoas que nos venham inspirar”, esclarece Maria José Maçãs.
Autor:Pedro Bilro
Palavras-chave: Cultura; Educação; José Régio; Literatura; Património; Portalegre

