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A pouco mais de um quilómetro e meio da vila de Fronteira, no distrito de Portalegre, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Vila Velha, elevada a santuário há cerca de um ano. Um espaço de fé e devoção que, ao longo dos anos, se tornou ponto de encontro de peregrinos, visitantes e fiéis vindos de vários pontos a nível nacional e internacional. A elevação da igreja a santuário aconteceu em abril de 2025, por decisão da Arquidiocese de Évora, no contexto das celebrações do Jubileu. Este reconhecimento veio confirmar a importância religiosa e cultural que o espaço já tinha para a população local e para os muitos devotos de Nossa Senhora da Vila Velha.
Segundo o padre Tiago Carlos, pároco da paróquia de Fronteira, a transformação da igreja em santuário representa sobretudo “o reconhecimento da devoção das pessoas e da importância daquele lugar para quem ali vai rezar, cumprir promessas ou simplesmente procurar tranquilidade”. O sacerdote explica que um santuário distingue-se precisamente pela dimensão da devoção que consegue reunir. “É uma igreja reconhecida pela Igreja Católica como um lugar que chama muita gente. Há pessoas que vêm a pé, outras em peregrinação, e muitas chegam de vários pontos da região”, afirma.
Um espaço de devoção cada vez mais procurado
A ligação entre a população de Fronteira e Nossa Senhora da Vila Velha já existe há várias gerações. No entanto, nos últimos anos, o movimento em redor da igreja intensificou-se, sobretudo após a elevação a santuário.
Maria Leonor Ribeiro, residente em Fronteira há mais de cinquenta anos, considera que este reconhecimento trouxe um novo olhar sobre o património religioso da vila. “Sempre tivemos muita devoção à Senhora da Vila Velha, mas agora sentimos mais movimento. Há mais pessoas a visitar, mais celebrações e até mais interesse em conhecer a história da igreja”, refere.
Para muitos habitantes, o santuário representa não apenas um espaço religioso, mas também um símbolo da própria identidade local. “Fronteira é pequena, mas tem património muito importante. Às vezes quem vive cá acaba por não valorizar tanto, mas quando vêm pessoas de fora percebemos a importância que isto realmente tem”, acrescenta.O padre Tiago confirma que o aumento de visitantes se tornou evidente ao longo do último ano. “Tem aparecido muito mais gente a Fronteira. O santuário começou a surgir em roteiros religiosos, em redes sociais e em iniciativas ligadas às peregrinações”, explica.
A fé que move peregrinos
Entre os visitantes que regularmente chegam ao santuário está António Marques, peregrino natural de Lisboa, que começou a deslocar-se à igreja há cerca de três anos. A primeira visita aconteceu por recomendação de familiares, mas rapidamente o espaço passou a fazer parte da sua vida espiritual.“Há ali uma paz muito difícil de explicar. Não é só a igreja, é o ambiente todo à volta. O silêncio, a paisagem, a maneira como a população recebe quem chega”, conta.
António realiza peregrinação ao local pelo menos duas vezes por ano, muitas vezes a pé, acompanhado por familiares e amigos. “Mesmo antes de ser santuário já havia muita devoção, mas agora nota-se que as pessoas conhecem mais o espaço. Encontramos grupos vindos de vários sítios do país”, afirma.
Para o peregrino, a elevação a santuário trouxe também maior organização e melhores condições de acolhimento. “Hoje encontramos a igreja aberta mais vezes, há celebrações regulares e sente-se uma preocupação maior em receber quem chega.”
Mudanças na vivência religiosa
A elevação a santuário trouxe alterações significativas na dinâmica religiosa da comunidade. Segundo o padre Tiago, passaram a existir celebrações e momentos de oração que anteriormente não aconteciam com tanta frequência.“Todos os sábados existe culto no santuário e o espaço permanece aberto diariamente”, refere. Além disso, começaram também a realizar-se peregrinações organizadas e iniciativas associadas ao turismo religioso.
O sacerdote explica ainda que a procura crescente obrigou a paróquia a investir em melhores condições de acolhimento. “Temos trabalhado sobretudo nas infraestruturas. Foram feitas melhorias nas casas de banho e estamos a pensar criar espaços de apoio para receber peregrinos, como uma pequena sala de acolhimento e um núcleo museológico”, adianta.
A valorização do património
Além da dimensão religiosa, a elevação a santuário trouxe também maior atenção ao património histórico e artístico da igreja. Estão atualmente em curso projetos de avaliação e requalificação do espaço, incluindo intervenções em telhados, pinturas, azulejos e elementos decorativos.
Segundo o padre Tiago, o aumento de visitantes ajuda igualmente na preservação do património. “Mais pessoas acabam também por gerar mais apoio à recuperação do espaço, seja através de doações, promessas ou contributos para a manutenção”, explica.
Para a população local, esta valorização é vista de forma positiva. Maria Leonor considera importante preservar o espaço para as próximas gerações. “É património nosso e faz parte da história de Fronteira. Seria uma pena deixar degradar um lugar com tanta importância.”
Fronteira no mapa das peregrinações
A criação do santuário poderá também contribuir para colocar Fronteira num circuito mais alargado de turismo religioso e cultural. O padre Tiago acredita que o reconhecimento pode aumentar a visibilidade da vila a nível regional e nacional.“O turismo religioso tem crescido muito e o facto de Fronteira ter agora um santuário acaba por colocar a vila no mapa”, afirma.
Apesar disso, o sacerdote considera que ainda existe pouca divulgação deste tipo de património nos meios de comunicação nacionais. “Em Portugal fala-se muito do grande património e esquecem-se muitas vezes destes espaços mais pequenos, que também têm enorme valor histórico, cultural e espiritual”, refere.
Entre a fé, a tradição e a paisagem tipicamente alentejana, o Santuário de Nossa Senhora da Vila Velha continua hoje a afirmar-se como um lugar de encontro, devoção e memória coletiva, mantendo viva uma ligação antiga entre a população de Fronteira e a sua herança religiosa.
Autor: Pedro Bilro
Palavras-chave: Devoção; Fé; Fronteira; Património; Peregrinação; Santuário.

