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A loja “Arte em Cortiça” valoriza a cortiça como símbolo da identidade alentejana através do artesanato tradicional. O espaço promove a preservação das tradições locais e reforça a ligação entre a cultura, o turismo e o comércio artesanal no centro histórico de Portalegre.
Entrevista a José Maria Russo, proprietário da loja Arte em Cortiça, em Portalegre.
Como surgiu a loja Arte em Cortiça?
A Arte em Cortiça nasceu através do meu sogro, que trabalhou durante muitos anos na antiga fábrica Robinson. Foi com ele que aprendi as técnicas de trabalhar a cortiça e decidi dar continuidade a este ofício. O objetivo sempre foi preservar este saber tradicional e continuar a valorizar uma matéria-prima tão importante para a nossa região.
Porque decidiram instalar este espaço em Portalegre?
A ligação ao local surgiu de forma muito natural. O meu sogro vivia aqui perto e já existia uma relação próxima com este espaço. Ao longo dos anos fomos consolidando a atividade e acabámos por criar uma loja que hoje recebe visitantes interessados em conhecer o trabalho artesanal desenvolvido a partir da cortiça.
O que representa a cortiça para si?
A cortiça é muito mais do que uma matéria-prima. Faz parte da identidade da região e da nossa história. É um material com enorme potencial, que nos permite criar peças úteis, decorativas e representativas da cultura portuguesa.
O que gostaria que os visitantes sentissem quando entram na loja pela primeira vez?
Gostaria que apreciassem o trabalho que fazemos e que percebessem o cuidado colocado em cada peça. Procuramos sempre dar o nosso melhor e criar objetos com qualidade, mantendo o caráter artesanal que os distingue.
Considera que a sua loja contribui para preservar a identidade de Portalegre?
Sim, sem dúvida. Através das peças que produzimos e comercializamos, ajudamos a divulgar uma tradição profundamente ligada à história local. Muitas das nossas criações chegam a outras regiões do país e permitem dar a conhecer o património cultural de Porto Alegre.
Que ligação existe entre a cortiça e a história da região?
A ligação é muito forte. Durante décadas, a antiga fábrica Robinson teve um papel fundamental na economia local e empregou centenas de pessoas. Muitas famílias viveram diretamente da indústria corticeira, incluindo a da minha família. Por isso, falar de cortiça é também falar da história e da memória da comunidade.
Acredita que o trabalho artesanal em cortiça é suficientemente valorizado atualmente?
Penso que ainda não. Apesar de existir reconhecimento, sobretudo por parte dos visitantes estrangeiros, considero que o artesanato poderia ser mais valorizado. Muitas vezes, quem vem de fora percebe melhor o trabalho, o tempo e a dedicação que cada peça exige.
Existem técnicas tradicionais que continuam a ser utilizadas?
Sim. Muitas das técnicas que aplico foram aprendidas diretamente com o meu sogro e continuam a ser usadas atualmente. Alguns processos, como a forma de moldar e trabalhar a cortiça, mantêm-se praticamente inalterados e fazem parte da autenticidade deste ofício.
Existe o risco de estas tradições desaparecerem?
Infelizmente, sim. É cada vez mais difícil encontrar pessoas interessadas em aprender este trabalho. As gerações mais novas seguem outros caminhos profissionais e isso coloca em risco a continuidade de alguns saberes tradicionais.
Como nasce uma peça de artesanato em cortiça?
Depende do tipo de peça. Algumas formas já existem naturalmente na própria cortiça e o trabalho consiste em aperfeiçoá-las e adaptá-las. Noutras situações, começamos com uma ideia, criamos um molde e desenvolvemos o objeto até atingir o resultado pretendido. É um processo que exige experiência, criatividade e muita atenção aos detalhes.
O que o inspira na criação das peças?
O que mais me motiva é o gosto pelo trabalho e a satisfação de ver uma ideia ganhar forma. Há uma grande recompensa em acompanhar todo o processo e observar o resultado final, especialmente quando a peça corresponde àquilo que imaginei inicialmente.
Procura inovar ou prefere manter os modelos tradicionais?
Procuro sempre melhorar e inovar dentro do possível. No entanto, como tudo é feito à mão, nunca existem duas peças exatamente iguais. Essa diferença faz parte do valor do artesanato e é precisamente o que torna cada criação única.
Que mensagem gostaria de deixar aos visitantes?
Convido todos a visitar a Arte em Cortiça e a conhecer de perto este trabalho. Cada peça reflete uma tradição com profundas raízes na região e representa o esforço de manter vivo um património que faz parte da identidade de Porto Alegre. Quem nos visita encontra não apenas objetos em cortiça, mas também histórias, memórias e um saber transmitido ao longo de gerações.
Autor: Vasco Lopes
Palavras-Chave: Cortiça; Comércio local; Produtos Regionais; Produção artesanal; Identidade regional; Património




