- Tempo de leitura: 3 minutos.
A 24.º edição da Feira de Doçaria Conventual e Tradicional de Portalegre arrancou esta sexta-feira, 1 de maio, nos claustros do Mosteiro de São Bernardo, reunindo quarenta expositores numa celebração da tradição e da identidade gastronómica da região e do país.
A feira começou com um momento musical protagonizado pela Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa e Musical Alegretense. Após o momento musical a presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Engenheira Fermelinda Carvalho abriu a sessão com o seu discurso. A presidente destacou o papel deste evento para a preservação cultural. “É muito importante que não se perca este conhecimento e que não se percam estes produtos de excelência”, afirmou, acrescentando que a feira tem como objetivo promover e valorizar o trabalho dos doceiros.
Ainda durante a inauguração, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, reforçou a importância do evento para a promoção da região e deixou uma novidade para o futuro. Segundo o responsável, a tapeçaria de Portalegre vai ganhar destaque internacional a partir de setembro ” vamos dar um destaque no Pavilhão de Portugal e dentro da área do Alentejo, vamos dar um destaque e promover esse grande ícone, essa grande manifestação de cultura e de identidade do Alentejo, que é a tapeçaria de Portalegre”.
Aberta a sessão os visitantes e restantes convidados deslocaram-se para os expositores de forma a observar a doçaria conventual e também licores tradicionais. Para a vereadora Laura Galão este é um evento considerado um dos mais importantes do concelho, onde volta a destacar a doçaria conventual, com raízes históricas ligadas às ordens religiosas que habitaram a cidade. Para a vereadora, a iniciativa é uma forma de preservar e valorizar esse legado. “É uma forma de homenagear e de manter as tradições desse receituário muito antigo, que tentamos preservar de geração em geração”, afirmou.
A autarca sublinhou ainda a importância do local escolhido para a realização da feira. O Mosteiro de São Bernardo, monumento nacional do século XVI, reforça a ligação entre o património edificado e a tradição gastronómica. “Conjugamos o nosso património gastronómico, neste caso a doçaria conventual e tradicional, com o património edificado da cidade”, explicou.
Entre os expositores, Paula Maurício, doceira de Portalegre, defende a importância do trabalho artesanal e da qualidade dos produtos utilizados. “É não usar produtos químicos nem coisas pré-feitas, como eu faço tudo”, explicou. Ainda assim, admite que nem sempre o público valoriza este tipo de produção “Às vezes o que é mais vistoso tem mais valor do que o que é feito artesanalmente.” Também Carlos Prata, ligado à produção dos tradicionais pastéis de Tentúgal, destacou os desafios da preservação das receitas. “A falta de pessoas qualificadas é um dos maiores problemas. Fazer a massa de um pastel pode levar anos a aprender”, referiu.
Do lado dos visitantes, a opinião é consensual quanto à importância do evento. Tomás Arriaga considera que “é um bem cultural” que deve ser preservado, enquanto António Lameira sublinha o impacto económico “Traz turismo, traz movimento, traz fluxo. Nós precisamos disso no distrito.” A feira conta ainda com a participação de produtores de várias regiões do país, como Aveiro, reforçando a diversidade da oferta. Segundo a organização, o evento atrai também turistas internacionais, contribuindo para promoção de Portalegre e do Alentejo.Ao longo dos próximos dias, a iniciativa inclui provas, concursos e momentos de animação cultural, afirmando-se como um espaço de encontro entre tradição, cultura e turismo

Autor: Pedro Nogueira
Palavras-chave: Cultura gastronómica; Doçaria conventual; Mosteiro de São Bernardo; Património cultural; Portalegre

