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A nova época de escavações arqueológicas na Horta da Torre, em Cabeço de Vide, no concelho de Fronteira, arranca no final de julho e promete reforçar a dimensão internacional do projeto, com a participação de estudantes de oito países diferentes. A iniciativa, coordenada pelo arqueólogo e professor André Carneiro, dá continuidade a mais de duas décadas de investigação num sítio que se tem afirmado como referência científica.
Depois de meses sem atividade no terreno, os trabalhos regressam ao local no pico do verão, mantendo o modelo que tem caracterizado o projeto: campanhas intensivas de curta duração, com forte envolvimento académico. “Voltamos lá no fim de julho”, explica André Carneiro, sublinhando que este período marca o reinício das escavações após uma pausa em que o sítio permanece sem intervenção direta.
A campanha deste ano contará, à semelhança de algumas edições anteriores, com a presença de alunos universitários, muitos deles provenientes do estrangeiro, refletindo a crescente projeção internacional do projeto Horta da Torre. Segundo o responsável, esta dinâmica resulta de uma estratégia consolidada ao longo dos anos, “Muito cedo começámos a receber alunos de fora, onde tivemos alunos de várias nacionalidades a virem para cá”, recorda.
Apesar do reconhecimento científico e da colaboração internacional, o projeto continua a enfrentar limitações estruturais, nomeadamente ao nível do financiamento e da continuidade dos trabalhos. “Neste momento (a escavação) está a mato. Portanto, não há essa continuidade, que faz falta”, admite o arqueólogo, realçando as dificuldades em manter uma presença permanente e constante no terreno.
Ainda assim, a nova campanha surge como mais um passo na consolidação de um projeto que, desde 2012, tem revelado o potencial da antiga villa romana da Horta da Torre. Com cerca de três dezenas de investigadores associados e múltiplas parcerias internacionais, a iniciativa mantém-se centrada na investigação científica, mesmo sem uma aposta consolidada na vertente turística.
Para André Carneiro, o futuro passa por dar continuidade ao trabalho já desenvolvido e aprofundar o conhecimento sobre o sítio: “Nós estamos na ponta do iceberg”, afirma, referindo-se à dimensão ainda por explorar da área arqueológica.
A campanha de julho volta assim a colocar Cabeço de Vide no mapa da arqueologia internacional, reunindo estudantes e investigadores em torno de um património que continua a revelar novos dados sobre a presença romana no interior da região alentejana.
Autor: Pedro Bilro
Palavras-chave: Arqueologia; Cabeço de Vide; Horta da Torre; Património romano; Villa romana

