À medida que o regime militar se radicalizava, os Festivais Internacionais da Canção transmitidos pela televisão passaram a funcionar como imensas assembleias populares disfarçadas.
O ano de 1968 vivia o seu ápice de tensão com passeatas estudantis e greves operárias, servindo de pano de fundo para o momento em que Geraldo Vandré subiu ao palco do Maracanãzinho para defender Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, também conhecida como Caminhando.

Empunhando apenas seu violão acústico diante de mais de vinte mil pessoas, Vandré entoou versos que convocavam o povo à ação direta ao dizer que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
O ginásio inteiro entrou em transe, marchando no mesmo lugar e cantando em uníssono uma letra que criticava abertamente os soldados armados. Temendo o poder de mobilização daquela marcha, os militares pressionaram os jurados nos bastidores para dar a vitória à canção Sabiá, de Chico Buarque e Tom Jobim.
O anúncio do resultado gerou uma das maiores vaias da história da televisão brasileira, impedindo as intérpretes vencedoras de cantar até que o próprio Vandré retornasse ao palco para pedir respeito aos colegas.
Pouco tempo depois desse episódio, o governo decretou o AI-5, proibindo terminantemente a circulação da música e forçando Vandré a fugir do país escondido no porta-malas de um carro rumo ao exílio.
De autoria, Matheus Scofano, 1ºano Jornalismo e Comunicação.

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