Essa longa noite autoritária começou a dar sinais de desgaste no final da década de 1970, abrindo espaço para a campanha civil pela Lei da Anistia e pelo retorno dos perseguidos políticos.

Foi nesse contexto de transição que João Bosco e Aldir Blanc compuseram O Bêbado e a Equilibrista, uma crônica comovente sobre o Brasil da época que ganhou dimensões revolucionárias na voz de Elis Regina.
A letra trazia denúncias corajosas e explícitas ao citar as lágrimas de Marias e Clarisses, referências diretas às viúvas do operário Manoel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, ambos assassinados sob tortura pelo Estado, além de clamar pela volta do irmão do Henfil, o sociólogo exilado Betinho.
Elis Regina colocou toda a sua carga dramática na gravação, transformando a faixa no hino absoluto da redemocratização. Quando a anistia foi finalmente aprovada in 1979 e os aviões trazendo os exilados começaram a pousar nos aeroportos do país, não foram discursos políticos que ecoaram nos saguões de desembarque.
Milhares de pessoas choravam e cantavam o refrão de Elis Regina para receber aqueles que voltavam, provando que a música brasileira não apenas narrou a história da revolução e da resistência, mas foi o próprio abraço que uniu a nação no seu reencontro com a liberdade.
De autoria, Matheus Scofano, 1ºano Jornalismo e Comunicação.

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